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Um mês inteiro dedicado à preservação da saúde

Aug 9, 2021 7:05 PM ET

Considerado o ‘mês mais longo do ano’ pelo fato de ter 31 dias sem feriados, agosto foi escolhido por várias entidades para abrigar comemorações em prol da saúde. O mês começou com a campanha Agosto Dourado, em homenagem à Semana Mundial da Amamentação (1 a 7 de agosto); depois recebeu o Dia da Campanha Educativa de Combate ao Câncer (4 de agosto), o Dia Nacional da Saúde, o Dia Nacional da Vigilância Sanitária e o Dia da Farmácia (5 de agosto).

Em 8 de agosto celebra-se o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol. A Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose começa dia 10 e, de 21 a 27, acontece a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. O mês termina celebrando o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29) e o Dia Nacional de Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla (30). Além disso, as enfermeiras comemoram seu dia em 10 de agosto, os psicólogos no dia 27 e os nutricionistas no dia 31.

Todas as campanhas visam à conscientização da população para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças – muitas completamente desconhecidas da maior parte das pessoas. Embora a prevenção de doenças seja um tema atual, o conceito de Medicina Preventiva surgiu no século 20. O movimento, iniciado entre 1920 e 1950 na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá, criticava a medicina curativa e propunha mudar o foco da prática médica – que até então se concentrava exclusivamente no tratamento das doenças – para uma visão mais voltada à promoção da saúde.

No Japão, um dos precursores da Medicina Preventiva foi o médico sanitarista Minoru Shirota – fundador da Yakult -, que desenvolveu um leite fermentado com microrganismos probióticos (Lactobacillus casei Shirota) para prevenir os distúrbios intestinais que atingiam as crianças no Japão na década de 1920. Por acreditar que o ‘intestino saudável conduz a uma vida longa’, o pesquisador entendia que, se melhorasse a população de microrganismos residente na microbiota intestinal, conseguiria evitar as infecções intestinais.

Ao longo do século 20, milhares de estudos demonstraram que a microbiota intestinal está realmente envolvida com vários estados de saúde e de doença – que vão muito além das infecções e dos distúrbios intestinais -, confirmando os achados do médico Minoru Shirota e reforçando a necessidade de cuidados com os intestinos. Nos últimos 20 anos, graças às modernas ferramentas de biologia molecular e aos métodos de sequenciamento genético, os estudos relacionados ao microbioma humano ganharam mais peso e consistência.

A Yakult, multinacional japonesa que desenvolve produtos baseados na ciência da vida há 86 anos, investe em pesquisas constantes para entender de que maneira a microbiota intestinal pode ajudar a prevenir doenças. Entre as descobertas estão a possibilidade de controle de enfermidades metabólicas – como a elevação do colesterol () e a resistência à insulina ().

Em outro estudo, os cientistas avaliaram as propriedades imunomoduladoras do probiótico Lactobacillus casei Shirota para melhorar a função imune de idosos e adultos ().

Além disso, o Instituto Central Yakult, em Tóquio, investiga a ação da cepa probiótica para ajudar na prevenção do câncer. Os pesquisadores da Yakult encontraram, mais recentemente, uma conexão entre a biologia do câncer e a resistência imunológica e, ao desenvolver experimentos, identificaram a eficácia do Lactobacillus casei Shirota em relação ao câncer de bexiga (), colorretal, pólipo adenomatoso e mama ( e ).

Os pesquisadores da Yakult também desenvolveram estudos que demonstraram a ação benéfica da cepa probiótica em relação a fumantes, sugerindo que a ingestão do Lactobacillus casei Shirota pode melhorar a atividade das células de defesa Natural Killer (NK), que geralmente são afetadas nos indivíduos com hábitos de fumo ().

Nos últimos 10 anos, os cientistas também têm investigado o eixo cérebro-intestino-microbiota para entender até que ponto a comunidade microbiana intestinal está envolvida com transtornos psiquiátricos e do desenvolvimento, a exemplo de depressão, ansiedade, esquizofrenia, doença de Parkinson, mal de Alzheimer e transtorno do espectro autista. Boa parte dos resultados sugere que as bactérias intestinais podem ser um gatilho para o desenvolvimento desses transtornos por influenciar o sistema nervoso central e a formação dos circuitos de estresse.

Inúmeros estudos também já demonstraram que a amamentação é fundamental para os bebês, porque os anticorpos e as bactérias presentes no leite materno vão modular o intestino da criança, favorecer a formação de uma microbiota mais saudável e, consequentemente, ajudar a prevenir doenças na infância e na vida adulta. As bactérias presentes no leite humano já estão bem descritas na literatura científica e, segundo especialistas, a amamentação é fundamental até os seis meses de vida da criança e pode ser estendida até os dois anos de idade, sempre que possível.

Assim, ao celebrar todas as campanhas voltadas à saúde no mês de agosto, a comunidade médica nacional e internacional pretende que a população se conscientize e passe a ter hábitos mais saudáveis – que envolvem boa alimentação, prática regular de atividade física e consumo de alimentos contendo probióticos para manter o bom funcionamento do intestino -, fatores que favorecerão uma vida longa e saudável.


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